Aeroporto de Juazeiro...Tic tac,tic tac,tic tac...Relógio marca um tempo sem fim.De repente,vem à minha cabeça aquele período em que fui maranhense, não de nascença, mas maranhense de coração. Quando a cidade de São Luís se tornou o meu lugar de sonhos, o reino de fantasias, onde eu viveria o meu amor sem limites, o meu emprego incrível, e onde recuperaria os amigos e sonhos que a vida me roubou.Quantas madrugadas eu passei naquele aeroporto dormindo abraçada à mala. Aqueles momentos que qualquer pessoa em sã consciência recordaria com um certo ar de cansaço vêm a minha memória de outra forma, é um calorzinho gostoso na alma, sensação de missão cumprida.Afinal,quem sonha não pode ter medo,nem pressa.Estar em casa é bom, mas a gratidão por tudo que passou, a lembrança de ter dado passos lá atrás para chegar até aqui é que me faz ir adiante.
domingo, 11 de março de 2012
sexta-feira, 1 de julho de 2011
QUANDO 28 BATEU À PORTA
Continuo engasgada, canto no silêncio: "Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade(...)Quem me dera ao menos uma vez esquecer que acreditei que era por brincadeira". Todos os caminhos me levam ao mesmo lugar: a busca de respostas. Um dia quero aprender a não me importar mais, a não doer mais, a não sentir mais como se tudo isso fosse apenas um pesadelo(quero ter a consciência de que quando eu acordar tudo continuará igual). Quero simplesmente recomeçar, deixar o que passou no passado. Não faço mais parte, não consigo mais me encaixar a nada. Sou sempre a peça imperfeita do quebra-cabeças.
*Agamben diz: "Os amigos não condividem algo(um nascimento, uma lei, um lugar, um gosto): eles são com-divididos pela experiência da amizade. A amizade é a condivisão que precede toda divisão, porque aquilo que há para repartir é o próprio fato de existir, a própria vida."
sábado, 16 de abril de 2011
A ESPERANÇA É VERDE 2
Faz tempo que não tenho tempo, talvez porque o tempo tenha passado para todos, menos para mim. Ando tão cansada de mendigar, acho que vou ficar imóvel dessa vez. A gente só pode compartilhar aquilo que tem, se meu espírito de pessoa alegre e sociável está hibernando em algum lugar, preciso ficar quieta, até que minha ausência de mim mesma dissipe tantas angústias.
Já percebi que as insatisfações não são compartilháveis. Permaneci no mesmo lugar, no tempo e no espaço. Quem me conhece de verdade sabe que não sou assim, mas afinal, quem me conhece de verdade?O tempo passou, será que as pessoas mudaram?Eu não as conheço, não faço parte do cotidiano delas, não sei quem elas são?Se os mais próximos estão tão distantes, imagino então, quão longe de mim não estarão os distantes?Talvez tenha sido um caminho sem volta.Pelo menos existe um caminho...
sexta-feira, 15 de abril de 2011
EM BUSCA DE MIM
Ultimamente tenho sentido uma falta de mim. Não sei exatamente... Por que estou me escondendo? Sinto que tenho feito isso 24 horas por dia. Não é muito pelo que sou de verdade, mas pelo que as pessoas esperam que eu seja. Fazer mestrado tem transformado muitas coisas, eu estava tão distante das minhas pretensões juvenis. E agora parece que tenho que me readaptar às pessoas e voltar a pensar o mundo com sensibilidade. Desde que deixei de sonhar e comecei a ver a vida com praticidade, é a primeira vez que sinto esse incômodo terrível.
Eu achava que nada mais me abalaria, estava aceitando o fato de as coisas não estarem exatamente como eu gostaria que estivessem. Pensava assim...Eu estou no meu lugar no mundo, que foi destinado para mim e do qual não tenho como fugir, porque eu tento, tento e de repente, quando penso que estou perto, tudo recomeça. Para me encontrar tenho que sentir fome, quando como muito não sinto ânimo para me procurar.Não posso estar imersa em uma religião, pensar em Deus me faz tão bem que esqueço de mim. Quando estou diante de outras pessoas fico tentando me refugiar como se eu não encontrasse espaço em nenhum dos lugares onde eu estou, como se o mundo não me coubesse.
Eu achava que nada mais me abalaria, estava aceitando o fato de as coisas não estarem exatamente como eu gostaria que estivessem. Pensava assim...Eu estou no meu lugar no mundo, que foi destinado para mim e do qual não tenho como fugir, porque eu tento, tento e de repente, quando penso que estou perto, tudo recomeça. Para me encontrar tenho que sentir fome, quando como muito não sinto ânimo para me procurar.Não posso estar imersa em uma religião, pensar em Deus me faz tão bem que esqueço de mim. Quando estou diante de outras pessoas fico tentando me refugiar como se eu não encontrasse espaço em nenhum dos lugares onde eu estou, como se o mundo não me coubesse.
terça-feira, 8 de junho de 2010
INFERNO ASTRAL
Sonho estranho quase de manhãzinha... Sonhos me deixam levemente tonta. Olho para o espelho e canto: "Deve haver alguma coisa que ainda te emocione". Não tenho fome, é estranho não senti-la, nos últimos tempos comer tem sido a salvação. Não preciso mais compartilhar com as pessoas o que sinto, elas não podem fazer nada, palavras de consolo e otimismo não me servem mais. Não sei o que virá, mas sei que é irremediável. É muito complicado existir, e quanto mais existo mais sou indiferente... Viver se aprende vivendo, sem direito a rascunho.
quarta-feira, 3 de março de 2010
CALEIDOSCÓPIO
Quando se arranca o mal do coração o certo é fazer um trabalho cuidadoso para eliminar desde a raiz, com acabamento de artesão para não deixar arestas. Um dia, fiz um grande mal ao próximo e a maior vítima fui eu. Acredito na fatalidade dos acontecimentos, não acho que poderia ser diferente, mas se pudesse eu o faria.
Todo mundo tem direito à cegueira uma vez na vida, o que não podemos é passar a vida inteira cegos, esbarrando no sentimento dos outros e seguindo adiante.A vida ensina e a gente tem obrigação de aprender.Obrigação de ser humano é morrer como gente.E obrigação de gente é ser humano.
Todo mundo tem direito à cegueira uma vez na vida, o que não podemos é passar a vida inteira cegos, esbarrando no sentimento dos outros e seguindo adiante.A vida ensina e a gente tem obrigação de aprender.Obrigação de ser humano é morrer como gente.E obrigação de gente é ser humano.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
LEMBRANÇAS

Quando passamos um longo período sem ver as pessoas que amamos, elas convertem-se em lembranças. Faço um esforço sobrenatural para que minha família nunca faça parte do campo das lembranças. Quero a presença vívida deles, como se estivessem cotidianamente comigo, para isso tento sentir aquilo que a memória racional não consegue registrar: a sensação que tenho quando Peuzinho me defende diante de qualquer situação, aquele riso interior quando contabilizo em pensamento o número de vezes que painho contou-me aquela mesma piada e o cheiro da minha mãe...não é perfume, é um cheiro assim...de mãe, sabe?
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